quinta-feira, 7 de junho de 2018

Estranhas coincidências


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A vida é repleta de coincidências, que vão muito além do comum e do ordinário. Eu me dei conta disto num encontro com um casal que me relatou  um impressionante fato de suas vidas.
Ela estava em viagem para a Europa, e em Paris, no meio de muitos turistas rondando a Torre Eiffel, tirava fotografias despreocupadamente. Alguns anos depois, encontrou aquele que seria o seu futuro marido. Um dia olhando as fotografias se surpreendeu ao perceber que aquele que era agora seu marido, foi pego num close de sua máquina, por detrás de sua imagem. Eles estavam no mesmo local, na mesma hora, quando sequer se conheciam.

Numa pescaria, na fazenda do Dr. Alex, ouvindo gostosas músicas da terra, conversando sobre estes fatos e ouvindo o seresteiro, poeta e amigo Antonio Rodovalho, começamos a relatar experiências da nossa própria vida.



Toninho nos contou que seu primeiro encontro com sua esposa se deu quando dava carona a uma amiga para irem a um churrasco, e esta amiga pediu que buscassem outra pessoa que ele sequer conhecia. Ao pegarem a moça, (a Lu), que seria sua futura esposa, ela estava comendo alguma coisa e ele atrevidamente lhe falou: “você é bonita até mesmo quando está comendo!”
Naquela mesma noite enquanto dançavam ele perguntou sem rodeios se ela gostaria de casar com ele, e ela sem pestanejar respondeu que sim!

Outro relato nos foi feito pelo José Nilvan, nosso maestro na logística da pescaria, que aproveitou o ensejo pra contar sua história. Aos 14 anos, sua atual esposa, Débora, olhou para ele na escola e disse a sua amiga: “Eu vou casar com este rapaz!”. Esta palavra dela se tornaria realidade exatamente 14 anos depois, já que ela se casou aos 28. Ela costuma brincar com ele: “Se você tivesse a mesma convicção que eu tinha, não teria dificultado tanto...”

Aproveitei para relatar a minha curiosa experiência:

Meus avós viveram muito tempo na cidade de Resplendor-MG, onde também viveram os pais da minha esposa Sara Maria. Quando minha esposa estava de férias passou um tempo naquela cidade visitando parentes e resolveu tirar uma fotografia na casa onde seus pais moraram, um antigo casarão em frente à estação ferroviária da cidade.

No primeiro dia de namoro com minha esposa, que morava em Registro-SP, fomos olhar fotografias e ela me mostrou esta fotografia, tirada no alpendre daquela casa. Quando vi a foto, falei que ela estava equivocada e que aquela casa era, na verdade, dos meus avós. Ela entrou no alpendre da casa, sem pedir licença, e com medo de ser descoberta pelos proprietários, tirou rapidamente a fotografia e saiu correndo.

Quando afirmei que era a casa de meus avós, ela teimou comigo e disse que eu estava errado, porque aquela era a casa paroquial da igreja presbiteriana. Ficamos teimando e resolvemos pedir para a D. Loyde (minha sogra), nos explicar a confusão. Ela então afirmou que aquela casa era a antiga casa da igreja, mas que havia sido vendida a um homem chamado Sr Antonio Vieira (que era o meu avô). Resumo da opera: se Sara Maria tivesse batido na porta daquela casa, teria conhecido meus avós... não é surpreendente? Tenho uma foto de criança, junto com minha família, na mesma varanda onde a Sara anos depois tiraria uma foto na sua adolescência.

Reações:
Depois da publicação inicial deste artigo, três reações precisam ser consideradas:

Primeira,
Solange Scherrer, (Vila Velha-ES), é mãe do meu genro Victor, e quando ela leu o texto disse que seus pais também moraram nesta mesma casa. Seu pai era pastor em Resplendor, e ela só não nasceu nesta cidade e viveu na mesma casa, porque seus pais se mudaram de lá em 57, e ela nasceu em em Março do ano seguinte. Portanto, a história mais uma vez cria vínculos e nos surpreende. houve um certo frisson familiar quando começamos a conversar sobre isto, e estamos tentando juntar as fotos para publicarmos também.

Segunda,
Minha cunhada Selma Cristina (Palmas), fez uma boa observação: "Não existem coincidências", Deus traça o plano de forma maravilhosa. Concordo plenamente com ela... a palavra providência é bem mais cristã. A palavra "coincidência" dá ideia de forças cegas e impessoais. Valeu Selma!

Terceira,

Priscila Vieira Scherrer está  se sentindo in awe.
19 h
On the day my parents started dating, my mom Sara showed my dad Samuel a photo of the pastoral house her parents lived in, on a small and distant town called Resplendor-MG. When she was a teenager traveling in the city, she snuck into the yard to take that photo of the house (which already belonged to different owners). My father saw the photo and said: "No! This house was where MY GRANDPARENTS lived in Resplendor-MG!" After some asking around, they found out the house had been sold by my mom's parents to my dad's grandparents, and had my mom knocked on the door when she took that photo, she would have met his grandparents before they even met each other!
Small world? Read on.
I was telling Victor Machado this story, and he commented: "my mom lived in Resplendor, MG, and I'm fairly certain her parents lived in a pastoral house."
So we asked his mom, and lo and behold: my dad's grandparents, my mom's parents and Victor's grandparents lived IN THE SAME HOUSE! And to top it off, when we asked my grandma, she actually knew his grandparents.
I'm sure God is laughing at this story saying: it took y'all THIS LONG to figure out I had this all in mind? 


terça-feira, 24 de abril de 2018

Valentina


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A chegada da Valentina trouxe grande alegria ao lar de Lídia e Mauricio. Ela sempre foi muito saudável e alegre, e os pais iam dia a dia celebrando a experiência de ter recebido um presente tão maravilhoso de Deus para suas vidas.

Quando estava com um ano e quatro meses, ela contraiu uma forte gripe obrigando os pais a irem ao pediatra, que depois dos exames convencionais chegou ao diagnóstico de que se tratava apenas de uma gripe. Entretanto, no outro dia foram obrigados a retornar ao médico e assim por três dias consecutivos, quando a médica constatou que ela estava com um quadro de pneumonia e precisava colocar um dreno no pulmão, encaminhando-a para Goiânia, onde tal procedimento deveria ser realizado.

Ao chegar em Goiânia, não havia vaga no Hospital Materno Infantil e ela vou encaminhada para outro médico, e seu quadro clínico se complicou rapidamente. Ela mal respirava, então ligaram para outro médico, e no Pronto Socorro Infantil, no final do dia, ela estava tão mal que o médico a atendeu apesar de sua agenda lotada. Diante da gravidade do quadro, o médico que já estava de saída para sua casa, acabou permanecendo no hospital das 18.30 às 0.30 hs, afirmando que os procedimentos foram realizados e que dentro de 5 a 6 dias ela recuperaria a saúde.

A medicação à base de corticóide começou a ser aplicada e no quarto dia seu inchaço aumentou significativamente e daí em diante, dopada, ela não mais acordava. O médico ficou preocupado com o fato dela estar dormindo ininterruptamente, um neurologista veio dar suporte e suspendeu a medicação, porque da forma como ela estava, corria risco de afetar o sistema nervoso central, embora reconhecendo que, ao suspender o corticóide, havia o risco de um derrame pleural, tratava-se, portanto, de um procedimento de risco.

Ele suspendeu a dose pela manhã e as três horas da madrugada daquele mesmo dia ela teve uma crise de asma muito forte e a médica passou a fazer o aerolin de resgate (bronco dilatador), até 8 da manhã, com oxigênio. Quando o médico chegou, fez o exame e constatou que ela tivera um derrame pleural e seguiram imediatamente para o centro cirúrgico onde colocaram um dreno no seu pulmão, que precisava ficar de 3 a 5 dias até retirar todo líquido do pulmão.

Apesar do procedimento correto e recomendável, ela não melhorava,  e durante o tempo do dreno ela desenvolveu um abcesso pulmonar e tiveram que manter o dreno por mais 15 dias. Seu quadro só piorava, e depois deste tempo o médico constatou que já não se tratava mais de um abcesso, mas uma telektasia pulmonar, que é a morte de um pedaço do pulmão.

Considerando tudo isto, o médico precisou tirou o dreno, apesar do pulmão estar ainda com muito liquido e risco de infecção, mas mesmo sem o dreno sua infecção não regredia.

Ela começou então a fazer sessões de fisioterapia pulmonar, todos os dias, e trocaram todos os remédios, entretanto, os resultados esperados não surgiam e ele afirmou que não poderia fazer mais nada além do que estava feito. Tentaram levar para são Paulo, mas o médico afirmou que ela não suportaria a pressão do avião e de ambulância seria inviável pela distância, e o que poderia ser feito naquele momento já estava sendo feito.

Uma infectologista foi chamada para analisar o quadro e uma junta médica foi formada para considerar novos procedimentos e Valentina passou a usar vancomicina, micacina e emipnem, três dos mais fortes antibióticos usados em UTI. Depois disto ela passou 10 dias neste tratamento, e quase que diariamente fazia uma tomografia e outros exames para avaliar como seu organismo estava reagindo.

Após 31 dias nos hospitais, o médico repetiu os exames e disse que os exames de sangue estavam bons , mas era preocupante a imagem do pulmão. Apesar disto o médico recomendou alta, e em casa, ela continuou tomando antibióticos via oral e uma semana depois deveriam voltar para novos exames.

No outro sábado quando retornaram, Mauricio foi chorando de Anápolis a Goiânia, quando num misto de ímpeto de fé e sandice, (muitas vezes estas duas realidades se chocam ou complementam, como nos demonstra o Evangelho: “Por que ainda incomodais o mestre? Ela já está morta!”) Lídia afirmou convictamente: “Nossa filha já está curada!”

O médico que a acompanhava havia dito que caso ela estivesse melhor, poderiam encaminhá-la para são Paulo. Ao chegarem em Goiânia repetiram todos os exames e quando os compararam, o atual e o da semana anterior, o médico bateu nas costas do Maurício e disse com os olhos cheios de lágrimas. “A princesinha não tem mais nada! Tem coisa que a medicina nunca vai explicar. A Valentina não tem nada!” Até mesmo a grave talektisia pulmonar não tinha mais sinal algum. O pulmão estava completamente zerado, e sua morte parcial sequer tinha deixado marcas. Na radiografia estava apenas a marca do dreno para provar que realmente ela havia passado por todos aqueles procedimentos. Exames posteriores foram feitos, mas não houve qualquer manifestação da pneumonia.
Ate hoje há um mistério no diagnóstico. Ninguém soube explicar a origem, se era bactéria, fungo, o fato é que pareciam que tinham mesmo que atravessar este deserto. Em nenhum momento a Valentina parecia triste, ela ria para todas as enfermeiras e nunca deixava de comer, o que dessem ela comia, apesar da grave enfermidade ela quase sempre dormia tranquilamente.

Quero registrar as palavras da própria Lídia:
“Com um ano e quatro meses ela me ensinou a ser forte, me ensinou a ter fé. Em nenhum momento ela deixou de crer que seria curada. Em três anos de casado, nunca tínhamos ajoelhado, chorado  e orado juntos, mas numa determinada noite, ali na solidão e tristeza, juntos ajoelhamos no hospital entregando a vida da nossa filha nas mãos do Senhor. Esta confiança persiste na família, sua cura tornou-se para nós um marco e sustento para a confiança em Deus. Nós nos recordamos do que passamos e sabendo como Deus agiu na nossa história isto nos sustenta. Quando Deus quer não tem médico nem doença. Saímos do hospital e uma semana depois ela estava curada“.

Registro também o testemunho do Maurício:
“O meu grande momento não foi a cura da Valentina, nós tivemos que ficar num hotel nas proximidades para dar melhor assistência, e numa noite, sozinho no hotel, eu liguei a ducha do banheiro e comecei a questionar a Deus, indagando porque minha filha estava sofrendo tanto. E ali mesmo eu ajoelhei e fiquei chorando cerca de meia hora, e aquilo lhe trouxe uma fraqueza indescritível. Sai do chuveiro e me deitei molhado na cama e depois desta experiência, acordei desfrutando de uma paz superabundante, a tal ponto de admitir a possibilidade de ficar sem sua filha sem ter angústia ou medo, como se tivesse arrancado do meu coração toda dúvida e desconfiança de Deus. Depois disso, conversei com a Lídia, e desde então, minha oração mudou. Eu realmente a consagrei a Deus, e estava disposto a até mesmo a perdê-la, reconhecendo que ela era do Senhor. Hoje ao ver as crises na empresa e trabalho, embora tenha minhas recaídas, tenho sabido lidar melhor com as pressões que preciso enfrentar”.

Um aspecto interessante é que as pessoas que convivem com Valentina a percebem de forma diferente, especial, como uma pessoa com uma latente espiritualidade. Certo dia ela, com quase três anos, ela falou para sua mãe: “mãe , tira uma fotografia de mim com Jesus”, e abriu os braços como se Jesus estivesse ao lado dela.

Certo dia ela disse para a vó Lú: “Sua casa no céu é muito linda!”, e a vó perguntou: “Como você sabe disto?” Ela respondeu: “Eu vi sua casa no céu, Jesus me mostrou. Ela é linda, você estava de óculos escuros naquela linda casa”. Todos que andam ao seu lado afirmam que ela possui um lado espiritual muito presente e abençoador.

Certamente Valentina é um presente de Deus. Deus a entregou duas vezes a seus queridos: Quando ela nasceu, e quando se recuperou desta enfermidade que surpreendeu até aqueles que trabalham na medicina.

Louvado Seja o Senhor!

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Você foi aprovado!



D . Alzira Oliveira Pina era de família humilde, sem qualquer formação intelectual, e casou-se com Irineu, que buscava a sobrevivência fazendo trabalhos aqui e acolá, com grande atração pelo garimpo, sonhando em tirar a sorte grande. Sua obsessão era a busca por diamantes e sempre que ouvia um “boato” pegava sua esposa e adentrava regiões inóspitas para se juntar a outros garimpeiros em busca de pedras preciosas.

Numa destas viagens acompanhando o marido, Alzira foi acometida por malária e sem os cuidados necessários, sua saúde se complicou a tal ponto que ela não conseguia sair da cama. Certo dia, seu esposo chegou em casa, e vendo a fragilidade de sua saúde, pediu para a mulher que os ajudava que deixasse o fogo acesso e não fosse embora porque ele achava que ela não sobreviveria àquela noite. Embora ela estivesse acamada e quase inconsciente, conseguiu ouvir o comentário de seu marido, e apesar de ser uma católica não praticante, sem nunca ter rezado, disse a Deus: “Senhor, eu não sei orar, só sei fazer promessas, mas por favor me cure, não me deixe morrer, quero ter filhos e formar minha família”. Tendo então feito esta oração, ela muito fraca, adormeceu.

Naquela mesma noite, foi despertada por uma poderosa e estranha luminosidade no seu quarto e percebeu que havia sido visitada por Deus. Levantou-se restaurada e animada depois de alguns dias de prostração física e  caminhou um pouco do lado de fora, sentou-se perto do fogão, e quando seu marido a viu, veio correndo perguntando o que havia acontecido. Depois de ouvir sua história, prometeu-lhe que se ela melhorasse eles iriam para Montes Claros-MG, onde sua mãe estava morando. Dias depois saíram dali e ele abandonou definitivamente o garimpo.

D. Alzira    se converteu depois dos 30 anos e teve contato com o evangelho uma única vez na sua infância. Seus pais moravam numa inóspita região dominada pelo catolicismo no interior da Bahia onde não se falava do protestantismo.  Um dia, porém, sua irmã mais nova teve um grave problema na vista, e tiveram que se deslocar para Fonte Nova-BA (atual Wagner), onde havia um hospital missionário presbiteriano. A viagem durou 15 dias a cavalo. Ali, pela primeira vez  ouviu a Palavra de Deus e se interessou profundamente pela mensagem, mas ao voltar para sua terra nunca mais teve contato com o evangelho, e não conhecia nenhum crente.

Como acontece na mágica dinâmica da criação, a semente ficou ali, abrigada no seu coração, aguardando o momento certo para florescer. Ao mudarem para Anápolis-GO, ela ouviu a mesma mensagem e a semente germinou brotando vigorosamente em seu coração e ela se entregou radicalmente a Cristo, se tornando uma crente firme na Palavra de Deus.

Posteriormente a família mudou-se para Rianápolis-GO, antigamente chamada de Pé de Serra, naquela época um pequeno vilarejo com cerca de 300 pessoas, e ela era a única “crente” da cidade, até que se encontrou com outro evangélico, Seu Joaquim do Mato e seus dois sobrinhos e passaram a ter uma reunião semanalmente em sua casa, convidando pessoas para os cultos evangelísticos. A mensagem da salvação era simples, estudavam um texto bíblico, e o repertório musical era ainda mais simples, repetindo o mesmo antigo cântico:  

A Jesus seguir eu quero
Seja a sorte for qualquer.
Onde quer que vá meu mestre
Seguirei, sem mais temer.

Era o único cântico conhecido e por isto o cantavam em todos os encontros. Algumas pessoas se sentiam atraídas e se aproximavam para ouvir a mensagem mas não tinham contato com nenhum pastor ou igreja instituída, até que um dia apareceu por lá um pastor Adventista da Completa Reforma, uma das linhas mais radicais do Adventismo.

Sua mensagem consistia em regras rígidas de comportamento, forte ênfase legalista, incluindo restrições alimentares como a proibição de tomar café, comer carne de porco e a obrigatoriedade de usar vestidos compridos. Ali chegando, ele batizou muitas pessoas.

Na medida em que D. Alzira estudava a Bíblia mais atentamente, ela percebeu que todas aquelas rígidas leis não faziam muito sentido, e um dia, indo de viagem à cidade de Ceres-GO, pediu orientação a um médico evangélico da cidade, Dr. Domingos Mendes, e ele ficou preocupado com a situação religiosa dos crentes em Rianápolis e disse que quando o Pr. Silas de Brito Lopes, que morava em Goiânia viesse novamente a Ceres, onde fazia visitas pastorais quinzenais ele pediria para que passasse em Rianápolis.

A visita não demorou a acontecer, e o Pr. Silas em sua visita, almoçou em Rianápolis, abriu a Bíblia, dispendendo toda uma tarde respondendo às perguntas curiosas de D. Alzira e mostrando  com mais exatidão o que as Escrituras diziam. Ao sair deixou um livro para que ela lesse. A partir de então, em todas as suas viagens a Ceres, passava também pela sua casa, até quem foi batizada na Igreja Batista de Ceres, em 1953.

Ela teve dois filhos, Edmo e Ernei, e apesar de toda simplicidade, ambos  buscaram a formação acadêmica, e se formaram em Medicina.  Em 1967, Édmo, o filho mais velho prestou vestibular. Naqueles dias ser aprovada na faculdade era um feito extraordinário, e no curso de Medicina, ainda mais difícil. Fizeram sua preparação com muita dificuldade financeira, estudando intensamente, e depois da prova, ao ter acesso aos gabaritos, Édmo verificou que não havia passado.

Chegou em casa triste, irritado e frustrado com o resultado, contou para sua mãe que não tinha conseguido a aprovação. Sua mãe, resoluta e com convicção de pessoas criadas na dureza da vida e com firmeza da genuína fé em Cristo, lhe disse firmemente: “Pare de bobagem, eu tenho certeza que você foi aprovado”, e o filho jovem, reagiu explosivamente com a tola declaração da mãe e arguiu com ela que insistia em dizer que ele seria aprovado, porque ela havia orado por isto e tinha convicção de sua aprovação. Apesar do não, ela insistia em dizer que ele seria aprovado.

Naquele mesmo dia, depois de divulgado o resultado negativo, chegou uma informação surpreendente. Um erro na avaliação da prova de química, prejudicara muitos alunos e esta era exatamente a matéria que o havia reprovado,  um grupo de alunos foi convocado para um novo teste. Ele foi, fez nova prova e foi aprovado.

Esta é uma boa ilustração para filhos que não acreditam em oração de mães piedosas e crentes.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Deus faz milagres todos os dias


Estive em Fevereiro de 2018 pregando na cidade de Guariba-SP, Onde tive o privilegio de conhecer o Rev. André Rossi e passar um tempo muito precioso com sua igreja e família e quando ele me trazia para Ribeirão Preto de onde pegaria meu ônibus para Anápolis, ele me deu um grande presente ao contar sua experiência de conversão. Fui profundamente impactado pela sua história e o encorajei a escrevê-la. Ele o fez com muita graça, e agora trago aqui o presente que recebi. 

Leia e desfrute!


Deus faz milagres todos os dias nos corações que olham para sua Palavra com Fé

            Minha mãe faleceu em 1981, vitimada por um tumor no cérebro, com 36 anos de idade quando eu tinha 4 anos e meio e minha irmã caçula 2 anos e meio. Meu pai, sofrendo com a tentativa do sogro de buscar judicialmente a minha guarda e da minha irmã e também motivado pela necessidade de ter alguém que cuidasse de seus filhos dando assim o curso natural à sua vida, casou-se novamente no ano seguinte com uma, até então, completa desconhecida. Na época, meu pai contava com 34 anos e sua nova esposa com 19.
A partir disso tudo mudou uma nova realidade se instalou na minha vida e da minha irmã. Mudanças bruscas chegaram. Meu pai que até então era católico, por causa do novo casamento passou a ser Testemunha de Jeová, religião da nova esposa. Como Testemunhas de Jeová, não podíamos comemorar mais nossos aniversários e raramente participávamos das festas de aniversários dos primos. Também na escola não podíamos cantar o Hino Nacional ou participarmos absolutamente de nada que envolvesse, do ponto de vista dos Testemunhas de Jeová, qualquer “culto” à Pátria ou à Bandeira. Dia dos Pais e das mães foram abolidos de nossa realidade. Não podíamos mais colorir desenhos ou levá-los para casa para homenagear nosso progenitor e nossa nova cuidadora.
De todas as mudanças, a mais drástica foi a distância que tínhamos que ter de nosso pai. Minha madrasta, talvez pela pouca idade e falta de experiência, tinha a mim e a minha irmã como rivais do amor de meu pai. No início do casamento nem tanto, porque meu pai mantinha um monitoramento intenso sobre a adaptação da nova família, mas depois de um tempo quando a confiança na nova esposa adquiriu determinada escala, meu pai afrouxou as rédeas da supervisão passando a confiar no “cuidado proposto”, o que era preciso e esperado, foi aí que as agressões tiveram seu início. Tenho guardado na memória muitos eventos desses. As agressões nunca eram verbais, sempre físicas e todas em oculto dos olhos de meu pai. Demorou muito para que ele percebesse que algo estava errado. O ponto de partida dessa percepção foi ocasionado por desconfianças semeadas por uma tia, irmã de minha mãe e por um hematoma na cabeça de minha irmã. O caso do hematoma foi o seguinte: Morávamos em um apartamento no centro da cidade e no calor, como éramos pequenos minha madrasta gostava de nos dar banho no tanque de pedra de lavar roupas. Pois bem, minha irmã foi a primeira e nesse processo, quando a madrasta se dedicou a lavar a cabeça da minha irmã, esta não se comportou como a madrasta esperava ou queria e sem paciência e com raiva, com os dedos entrelaçados nos cabelos de minha irmã bateu a cabeça dela 3 vezes contra a pedra do tanque. Eu, paralisado pelo medo de apanhar não tinha coragem de fazer ou falar alguma coisa. Chorei em silêncio e sem lágrimas externas esperava que aquela tortura parasse. Depois do ocorrido, se dando conta do consequente “galo” mandou que minha irmã e eu omitíssemos tal fato de meu pai, e assim se deu. Contudo, quando ele chegou em casa, nós mantivemos certa distância dele (para não incorrer na ira da madrasta), mas ele insistentemente nos chamou para conversar e brincar, minha irmã se assentou em seu colo e ele querendo acaricia-la passou a mão sobre sua cabeça e percebeu o “galo”, olhou para mim e disse: “Não me diga nada com a boca, apenas acene com a cabeça.... você sabe a razão deste machucado na cabeça da tua irmã?” Acenei positivamente. Depois perguntou novamente: “isso aconteceu brincando?” Acenei negativamente. “Foi a Marli (madrasta) quem fez?” Acenei positivamente. Ele se levantou e me disse: “Fique com tua irmã”. Naquela hora uma mistura de alívio e medo se apoderou de mim. Alívio porque a esperança de que algo mudaria despontou no horizonte. Por outro lado, o medo da retaliação era também presente. Foi a primeira briga que tenho lembrança. Aquela noite o silêncio tomou conta da casa. Na manhã seguinte, ouvi quando meu pai se despedia para ir ao trabalho e o bater da porta marcando sua saída, alguns segundos depois minha irmã e eu fomos retirados da cama debaixo de socos e puxões de cabelo no pé da cabeça. Nada havia mudado.
Dentre os vários métodos de castigos lembro-me claramente das múltiplas chineladas nas costas das pernas com chinelos havaiana, dos socos na cabeça, dos tapas na boca, das cintadas no bumbum e é claro não poderia esquecer-me do mais corriqueiro, o famoso puxão de orelhas num método todo peculiar de pegar, apertar, torcer e levantar, o que me rendeu um descolamento da orelha. Nesta ocasião meu pai fez um curativo e me levou ao Conselho Tutelar da minha cidade. Mas como ele fez um curativo e não tinha mais a presença de sangue, eles apenas o orientaram no modo futuro de procedimento em caso de repetência do fato. Ainda hoje é impossível não se emocionar com tais lembranças.
O ponto final deste período da história se deu quando numa certa ocasião, na casa da mãe da minha madrasta, no famoso banho no tanque de lavar roupas, pelas mesmas razões apresentadas acima quando do episódio semelhante, ouvi da boca da irmã da madrasta o seguinte dizer: “Marli, Marli, este menino não será criança para sempre, um dia ele crescerá e aí ele vai te pegar”. Confesso que nunca havia pensado nisso. Mas naquela ocasião essas palavras fizeram efeito. Eu pensei: “É verdade!!!!! Vou esperar esse dia chegar!!!! 3 anos se passaram e o dia esperado chegou. Numa certa tarde a Marli passava roupas quando por um desentendimento comigo ela tirou o chinelo havaiana do pé e com ele em uma das mãos insinuou que me bateria. Na mesa ocasião, eu já cansado daquela situação que se arrastava há uns 5 ou 6 anos, não aguentando mais apanhar declarei que jamais ela bateria em mim novamente. Ela assustou e partiu para cima e eu para me defender acabei por machucá-la. O duro é que não fiquei feliz como imaginava que ficaria, pelo contrário, me senti profundamente culpado por tê-la ferido. O embate terminou. Quando meu pai chegou eles final e definitivamente se separam. Por conta da separação meu pai foi “desassociado” dos Testemunhas de Jeová. Este termo significa banido da convivência, do culto e das amizades dos TJs.
Agora, com a madrasta longe não restava alternativa a não ser morarmos com a avó, mãe do pai. E assim foi feito. Minha avó era espanhola. Chegou ao Brasil com 5 anos de idade. Se orgulhava de ter aprendido e mantido a tradição religiosa da família, o catolicismo. Mas além de católica a vó também era benzedeira. Não sei se isso ela aprendeu com a família. Mas sei que a vivência na casa dela era boa por um lado e misteriosa e mística por outro. Era boa porque como avó ela nos paparicava muito e era muito bom e gostoso tudo o que ela fazia. Mas era também misteriosa e mística porque ela dizia que falava com os mortos. Certa feita, ainda no período posterior à morte de minha mãe e anterior ao novo casamento de meu pai, foi com a avó que estivemos e naquele período, por ser ela viúva dormíamos com ela em sua cama. Numa madrugada, o quarto todo escuro, acordei e vi minha avó assentada na beira da cama, mesmo escuro era possível ver o seu vulto. Eu também a ouvia conversando com alguém. Quando me assentei para ver com quem ela falava, elas se despediram e eu não vi ninguém. Quando perguntei a ela com quem falava ela disse que era com uma menina que todas as noites aparecia para ela no quarto chamando-a para conversar. “A menina te ouviu e foi embora”, disse ela. Eu nunca vi ou ouvi a voz desta “menina”, mas por várias vezes me recordo de ver a vó assentada na beira da cama conversando com alguém. Por outro lado, todas as noites quando íamos dormir eu ouvia passos na casa. Minha avó dizia que não era ninguém, mas eram passos o que minha irmã e eu ouvíamos. Quando não eram os passos ouvíamos a porta do forno do fogão abrir e fechar. Todo esse contexto da casa da avó perdurou minha adolescência inteira e inicio da juventude. A vó dizia que eu precisava de Deus e me incentivava a fazer a catequese. Por respeito a ela eu fui, mas na segunda aula fui mandado embora pelo catequista. Ora, eu queria saber por que as coisas eram como estavam sendo ensinadas, mas ele não teve paciência para minhas perguntas e me convidou a me retirar o que fiz prontamente.
Nessa mesma época meu pai frequentava o espiritismo kardecista e por causa dele eu o acompanhava. Um dia os médiuns disseram-lhe que eu tinha o “dom da mediunidade” e que ele precisava me levar mais para que esse dom fosse desenvolvido. Daquele dia em diante ele me proibiu de ir ao centro espírita e eu nunca mais voltei.
Noutra ocasião fui com um amigo em uma casa que para entrarmos era preciso pedir licença ao Diabo. Uma vez lá dentro, um demônio se aproximou de mim e ofereceu seus serviços para disciplinar aqueles que agissem com injustiça para comigo. Ele disse que quando eu desejasse a ajuda dele era para eu falar o nome do sujeito ofensor, o nome do demônio e bater o pé 7 vezes no chão. Certa ocasião, quando alguém me maltratou verbalmente pensei em invocar a ajuda demoníaca mas ao mesmo instante tive muito medo do que poderia acontecer com a tal pessoa e não invoquei o demônio. Naquele dia pedia Deus que me fizesse esquecer aquele nome e assim se deu.
Eu pensava que com a madrasta longe as lutas cessariam. Na realidade, elas se apresentaram de outra forma agora. Minha avó era muito idosa quando fomos morar com ela. Contava com aproximadamente 78 anos. Não tinha mais vigor para acompanhar a criação dos netos. Meu pai na época viajava muito a trabalho chegando inclusive a ficar de 20 a 30 dias fora. Meu tio solteiro que morava com minha avó acabou ocupando a posição de pai embora com algumas ressalvas. O fato é que em minha vida um sentimento intenso de raiva começou a tomar lugar em meu coração. Não tinha explicação. Eu acordava à noite sentindo muita raiva e a única maneira que conhecia para aliviar esse sentimento era sentindo dor. Eu pegava um canivete que meu pai me deu e com ele cortava o peito duas ou três vezes. Depois de me cortar, revestia meu peito com papel higiênico para ninguém perceber o sangue e voltava a dormir. Era o que me aliviava. Mais tarde o tio e meu pai me ensinaram a andar de carro, eu tinha apenas 12 anos quando aprendi a dirigir. Eu era apaixonado por carros. Meu tio deixava eu dirigir seu fusca no bairro onde morávamos. Como eu amava dirigir! O fato é que por causa do sentimento de raiva que brotava em meu coração a rebeldia se instalou e a válvula de escape era o carro. Direção perigosa, cavalos de pau, e atos irresponsáveis com carros faziam parte das opções. Além das manobras arriscadas, a bebida alcoólica também foi adicionada aos momentos. Graças a Deus, drogas tais como maconha e cocaína conheci apenas com os olhos.
Um tio, irmão de minha mãe me ofereceu trabalho em sua loja de acessórios de carro, uni a necessidade com o prazer. Trabalhei com ele durante quase toda a adolescência. Ele tinha um funcionário que era pastor da Igreja Evangélica Deus é Amor e durante muito tempo esse moço me falou do amor de Jesus. Eu o ouvia com atenção e respeito, mas ainda não foi daquela vez.
A raiva crescia, muitas vezes pensei em suicídio. Aparentemente eu era desprovido de amor e cuidado por mim mesmo. Sempre me arriscava por demais em tudo o que envolvesse carro ou algo motorizado. Contudo, alguma coisa dentro de mim, nunca me deixou levar à cabo os projetos de suicídio. Uma vez contei a meu pai sobre esse meu desejo. Na época, meu pai também se achava em tempestades por todos os lados. Então ele me disse: “Filho, na minha instrução religiosa o suicida vai para o inferno. Eu não quero isso para você. Pense bem nisso que você está me dizendo e se quiser morrer mesmo eu mato você. Eu já estou no inferno, o peso da tua morte não me acrescentará mais nada.” Eu respondi para ele que pensaria e que na semana seguinte daria a resposta. Confesso que naquela semana considerei verdadeiramente a proposta. Considerei com sinceridade, mas o medo da morte tornou-se mais forte. Findando a semana voltamos a falar sobre o caso e lhe disse que havia pensado e que ficaria por aqui mais um pouco “kkkkkk”. Disse a ele que se mudasse de ideia o avisaria.
Dentre todos os meus amigos, havia um que se destacava. Com esse tal eu fazia as artes de carro e quase todas as loucuras daquela faze. Num certo fim de semana, depois de andarmos 70 km de bicicleta, ele me avisou que não sairíamos para o centro da cidade naquele sábado, pois tinha de buscar a namorada na casa da tia dela em São José do Rio Preto. Nos despedimos e cada um foi para seu destino. Eu tinha a intenção de ir para casa, tomar banho e sair, ele iria buscar a namorada. Depois do banho tomado e arrumado avisei a vó que iria dar uma voltinha, mas quando saía da casa propriamente dito, senti como que alguém me dizia para não sair e ficar em casa. Resolvi ficar. Passados uns 30 minutos um “buzinaço” de início na porta da casa da vó. Quando fui ver do que se tratava eis que era meu amigo, de carro me chamando para ir com ele para Rio Preto. Perguntei por que ele havia mudado de ideia. Ele respondeu que já estava na pista em direção à São José do Rio Preto e já andara cerca de 15 km, quando uma força constante e intensa o compelia a voltar e me buscar. Achei aquele trem meio estranho, mas avisei a vó e fomos para Rio Preto.
Em São José do Rio Preto conheci a tia da namorada dele, chamava-se Carmem. Ficamos na casa dela aquele fim de semana. Por razões inexplicáveis os dois dentes do cinzo meus e dele resolveram nascer naquela noite de sábado. Com a boca inchada e quase sem podermos falar ficamos confinados à casa da tia naquela noite. No domingo, antes de voltarmos para Catanduva, a Carmem me fez um convite. Ela disse que estava abrindo um escritório imobiliário em Fernandópolis e precisava de gente para trabalhar. Disse que como estava no início do empreendimento em Fernandópolis não poderia pagar meu salário em dinheiro, mas me garantiria casa, comida, roupas lavadas e o ensino do ofício de corretor de imóveis. Disse a ela que precisava falar com meu pai. Chegando em Catanduva lhe passei a oferta tal como havia recebido. A resposta dele me surpreendeu, ele disse: Pode ir! Eu perguntei se ele entendeu que eu não receberia salário em dinheiro? Ele respondeu que o conhecimento que adquiriria não tinha preço e que eu deveria me preparar com todas as oportunidades que me aparecesse de saberes, pois o dia de amanhã era muito incerto. Ele disse: tudo o que você aprender hoje, poderá ser usado amanhã numa eventual necessidade tua. Fiz minhas malas e fui.
Cheguei a Fernandópolis no inicio de dezembro de 1995, eu estava com 18 anos de idade. Naquele mês foi a primeira vez que participei de um culto na Igreja Presbiteriana. Fiquei encantado com o grupo de louvor e com o pastor, Rev. Daniel Custódio. Fui muito bem recebido pela igreja. No que concerne à pregação do pastor eu ainda me achava com o coração endurecido. Contudo, a Carmem quase todos os dias me falava do amor de Jesus e da necessidade de fé nele, do arrependimento e mudança de vida. Na noite do dia 15 daquele mesmo mês, achávamos na casa dela eu e ela somente, suas filhas haviam saído com o pai. Eu estava na sala assistindo à televisão e ela estava na copa lendo a Bíblia. Inadvertidamente visitas chegaram à casa. Carmem deixou sua Bíblia sobre a mesa da copa e foi com as visitas para a cozinha. Na mesma hora a raiva começou a florescer e abruptamente aumentava mais e mais. Foi a primeira vez que senti vontade de ir à igreja. Era uma sexta feira, não havia nenhuma atividade da igreja em curso. A Carmem me ofereceu o seu carro para eu dar uma volta, mas a raiva era tamanha que se eu saísse com o carro dela a coisa não terminaria bem. Meu desejo era ir embora e voltar para minha cidade. Comecei a andar pela casa e nesse percurso eu passava pela copa e via a Bíblia sobre a mesa. Havia alguma coisa muito forte que tencionava me levar a ler a Bíblia. Mantive-me firme até onde deu. Sentei-me à mesa. Peguei a Bíblia e fiz minha primeira oração. Eu disse: “Oh Deus, eu não te conheço. A Carmem te conhece e mais um tanto de gente e todos eles dizem que o Senhor existe, conhece a vida de todos e é o único que pode mudá-las. Eu não sei porque minha vida é assim. Mas eu estou cansado. Por favor! Se o Senhor pode mudar minha vida mude. Eu não sei orar, mas vou abrir a Bíblia, fale comigo por favor!” Quando abri a Bíblia chamou-me atenção o Salmo 42. Cada verso lido deste Salmo foi como se eu estivesse vendo minha história passar toda diante dos meus olhos com uma única novidade, ele me mostrava o que precisava fazer: “Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu.” (Salmo 42.11). Ao findar da leitura deste Salmo toda a raiva foi embora e nunca mais voltou. No lugar da raiva uma alegria incontrolável tomava conta de toda minha alma. As visitas, fechada a Bíblia se retiraram imediatamente. Chamei a Carmem e lhe contei todo o ocorrido. Ela ficou maravilhada com meu relato e sem titubear me disse: Você que entregar tua vida para Jesus? Sim, eu respondi. Ela me levou imediatamente para a sala de sua casa, me colocou de joelhos e orou comigo. Foi ali que entreguei minha vida a Cristo. No dia seguinte, num espaço de meia hora, 4 pessoas distintas, sem falar uma com as outras e em momentos distintos e restritos à minha pessoa somente me interpelaram sobre a razão pela qual minha fisionomia se encontrava leve, alegre, esperançosa e não mais carrancuda, cabisbaixa e iracunda. A cada uma contei o ocorrido da noite passada como a única coisa que me havia acontecido extraordinariamente.
            No dia 28 daquele mesmo mês foi meu aniversário de 19 anos. A Carmem me deu minha primeira Bíblia. No ano seguinte 1996 eu li naquela Bíblia duas vezes o Velho Testamento inteiro e 3 vezes o Novo.
            Infelizmente em o escritório imobiliário da Carmem não deu certo em no segundo semestre de 1996 ela empreendeu os preparativos para retornar à Rio Preto.
            Em Janeiro de 1997 comecei a frequentar a Igreja Presbiteriana na minha cidade natal. Em fevereiro do mesmo ano participei do meu primeiro acampamento de carnaval em Rio Preto. Eu admirava os pastores no exercício de ensinar a Palavra de Deus e um desejo de enveredar por este mesmo caminho começou a brotar em meu coração. Compartilhei isso com meu pastor na época, Rev. Leonardo e começamos a orar à respeito.
            Em dezembro de 1997 fiz minha Pública Profissão de Fé e Batismo, em Janeiro de 1998 eu pedi ao Conselho da Igreja que em enviasse ao Seminário. O pastor Leonardo disse que eu era muito novo para seminário e que se fosse do meu interesse me enviarei no ano seguinte para um Instituto Bíblico da Igreja Presbiteriana do Brasil. Nesta ocasião, o Conselho da Igreja me disse que eu tinha de ser avaliado quanto ao meu chamado para o ministério. Essa avaliação se daria por meio de trabalhos meus feitos com a Igreja. Todo o ano de 1998 foi nesse sentido. O pastor Leonardo me ensinou a fazer estudos bíblicos e me permitia ministrá-los nas Quintas feiras na Igreja, sempre sob sua supervisão. Também ministrava outros estudos para os jovens de sábado à noite supervisionado por um Presbítero e aos domingos pela manhã ministrava aulas para a classe do primário da Escola Bíblica Dominical da Igreja. No findar de 1998, por decisão unânime o Conselho da Igreja me enviou ao IBEL (Instituto Bíblico Eduardo Lane), em Patrocínio-MG. Lá cursaria 3 anos.
            O fim de minha história de certo modo se dá no primeiro ano do IBEL. Houve momentos em minha vida em que eu não sabia, mas Deus estava lá ao meu lado me abençoando e cuidando de mim. Depois da minha conversão eu passei a conhecer o Senhor e Ele sempre foi muito misericordioso comigo, mas eu ainda tinha muitos resquícios do passado. Na realidade uma altíssima baixa alta-estima tomava conta de meu coração. Por conta disso, mesmo depois da conversão sempre tive muitas dificuldades para racionalmente optar por lutar contra os obstáculos que se me apresentavam no decurso da vida. Um desses obstáculos era minha fala. Por causa de todo contexto emocional da infância eu desenvolvi gagueira e isso me incomodava demais. Em meados de 1999,  primeiro ano no IBEL, por causa da gagueira, completamente desestimulado para continuar com aquilo que eu sentia ser meu chamado ministerial. Tomei a decisão de ir embora do IBEL. Naquela noite fui para meu quarto e arrumei minhas malas e de joelhos orei ao Senhor entregando meu chamado, na realidade eu não queria desistir, mas achava que aquela dificuldade era tamanha que não tinha outra solução. Em meio às lágrimas na oração, ouvia um colega que na quadra de esportes, ao fundo do meu quarto tocando seu violão e cantava uma música cuja refrão repetia a frase “Rompendo em fé”. Naquela hora tomei uma decisão e disse para o Senhor: Senhor Deus, faço hoje com o Senhor um pacto e voto. Peço a Ti que me dê forças para nunca mais, desde que entenda que é tua vontade para minha vida, eu venha a desistir de qualquer coisa que o Senhor colocar em meu caminho. O Senhor me dará a força necessária para vencer meus obstáculos, sejam lá quais forem eles, se pequenos ou grandes, se pavorosos aos meus olhos ou não e eu prometo que nunca, jamais desistirei de alguma coisa que o Senhor colocar para eu fazer. Se eu desistir o Senhor me mata porque não terei mais propósito diante de Ti.
            Fiz este voto com 23 anos de idade. Hoje aos 41, testifico as maravilhas que Deus fez em meu coração. Confesso que ao longo destes 18 anos, houve ocasiões que pensei em desistir, mas a lembrança do voto me manteve no caminho. Eu fiz este voto empenhando minha vida porque eu me conheço e acho que se não fosse algo tão radical como minha própria vida, talvez em outras dificuldades eu teria sucumbido.
            Hoje sou pastor Presbiteriano, tenho uma família abençoado, uma esposa maravilhosa, uma filha que veio como renovo em minha vida, e um filho à caminho para dar continuidade ao meu nome.
            Sobre a gagueira .... Melhorei bastante, quase não gaguejo mais, mas não sarei completamente. Na realidade compreendi o propósito dela em minha vida. Ela me faz lembrar que minha suficiência não vem de minha capacidade mas da minha total dependência de Deus. Por isso eu O louvo e O engrandeço.

Deus faz milagres todos os dias nos corações que olham para sua Palavra com fé